sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Do que sinto mais saudades?




Da inocência
Agora você está calma e isso é o que importa agora. Só que antes você me perguntava onde aquilo iria parar.
Os amigos que você amava eram os mesmos inimigos com quem lutava.
Onde irá enxugar suas lágrimas?
Não há nada nem ninguém tão perto pra poder te ajudar.
Então você procura, procura e não se deixa abater. Sempre tentando achar o verdadeiro motivo disso tudo ter acontecido.
Nada real pra pegar. Ninguém pra culpar.
Enfrentou a tudo e a todos mas rendeu-se a si mesma.
Sentiu que não se valia à pena.
Sua realidade era como num sonho, sua cor era como um doce, seu cheiro era como a neblina, sua pele era como um manto, sua voz era como veludo, sua boca era como escudo e seus olhos assim como tudo mais, eram insanos.
Não se lembrava de ter ficado tanto tempo em transe desde a época que ainda era inocente... Quando resolveram sangrá-la pela primeira vez. Sentiu sua espinha contorcer, deixou seu ódio aparecer
A única coisa que realmente queria era alguém pra segurar a sua mão. Esse alguém, não existiu...
Com o tempo a cicatriz foi fechando e o ódio com ela foi passando, mas a alegria de viver não ficou pra trás.
Já não era ela mesma quando encarava as pessoas. Já não era ela mesma quando andava sem rumo, mas em uma só direção. Apenas mais uma na multidão.
Se sentiu culpada por algo que não havia cometido.
Com quem você sonhará hoje à noite?
Nos sonhos... Único lugar onde se sentia segura,
Ninguém era falso. Ninguém era honesto.
Todos eram perfeitos. Acima disso
Ninguém era invejoso. Ninguém era acolhedor.
Todos eram perfeitos. Acima disso
Ninguém era modesto. Ninguém era bonito.
Todos eram perfeitos. Acima disso
Ninguém era triste. Ninguém era amigo.
Todos eram perfeitos. Acima disso.
Ninguém era ela. Ninguém era eu.
Todos eram... Sonhos.
Na realidade possuía um sorriso enigmático. Seus mistérios não deixavam desvendar se aquele era um sorriso vencedor ou sarcástico.
Enquanto sonhasse nada lhe faria mal e aqui a vida continuaria.
O frio a fazia se sentir por inteira. Não gostava de arco-íris e se perguntava o porquê do amarelo do sol. Seus banhos eram como uma troca de energia, mas não sabia por que para isso sentia cócegas. Talvez os jatos d’água do chuveiro.
Não acreditava no reflexo que via no espelho. Via sempre o seu rosto mais belo e mais sereno, mas na maioria do tempo, se achava louca e de uma beleza comum.
Ficava encantada com os pássaros, especialmente o beija- flor. Às vezes ela queria ser um deles para fazer malabarismos no ar ou então uma flor para poder admirá-los mais de perto.
Nunca se esqueceu de ser um tatu-bola. Quem sabe assim, quando se enrolasse visse a si mesma melhor. Então entenderia seus medos, seus sonhos, suas fantasias. Conheceria o mundo conforme o vento do destino a soprasse. E iria “rolar” pelos mais diferentes lugares...
Mas ela queria ser mesmo um gato.
Arranjaria uma família que a acolhesse bem e saberia que em troca de alguns miados seria sempre bem alimentada. Poderia quebrar e arranhar alguns móveis da casa sem se preocupar em ouvir sermões porque seria rápida o bastante pra fugir. Esta seria uma doce vingança porque agora ela já não seria a pessoa estúpida e descuidada da casa.
E quando por fim sua família começasse a brigar ela poderia ficar perto sem participar. Então entenderia melhor o porquê das pessoas ficarem magoando umas as outras pra depois pedirem desculpas
E enquanto o clima de histeria não tivesse passado, ela subiria em uma estante da sala e ficaria admirando mais uma daquelas típicas cenas de família
Talvez os gatos vejam as coisas mais de perto.
Às vezes chocolate é a única solução.

Bastava sair de lá e iria começar uma nova vida.
Não iria pedir desculpas. Não iria dizer obrigado.
Não iria julgar as pessoas. Amaria ou odiaria sem pensar.
Não seria conivente. Não diria amém
Não aceitaria conselhos da mamãe. Mesmo que ninguém entendesse, iria mesmo assim, tentar encontrar o seu caminho. Talvez até ser feliz.
Não iria mais chegar atrasada em encontros. Simplesmente não iria.
Não sentiria mais remorso. Simplesmente seria fria
Não se importaria com o namorado. Vez por outra o trairia.
Não ganharia mais herança. Não mais seria a queridinha. Não teria mais família.
O ecoar de suas poucas doces lembranças um dia acabaria. Veria que aqui na realidade tudo continuaria.
Independente de sua escolha, independente de sua vida.
Tomou uns comprimidos anti-depressivos e misturou com bebida.
Aquilo que vivia não era o que queria.
Só precisava sair daquele quarto de hospital.
Estava decidida.
Entrava para um convento, ou se Deus quiser, seria uma prostituta.
Suicídio é uma solução permanente para um problema passageiro.
Levantou-se naquela manhã com uma sensação diferente que crescia e a fazia crescer. Fazia com que ela fosse mais do que realmente era.
Seu sorriso era como de uma criança quando encontra a própria mãe. Puro e belo por si só.
Enquanto se espreguiçava perguntava o porquê de tudo aquilo estar acontecendo. Afinal, não tinha muitos motivos pra ficar daquele jeito, pois a noite anterior tinha sido igual às outras.
Mas naquela manhã ela estava diferente. Era ela diferente
Decidiu que iria se dar um presente
Talvez até mais do que isso. Só não iria esperar ninguém satisfazê-la. Iria atrás
Saiu do quarto como se tivesse de partida para um final que não conhecia. Não sabia onde, como e com quem terminaria.
No banheiro, tomando banho, acariciou o seu corpo como há muito tempo não fazia. Como há muito tempo não sentia vontade de fazer.
Ficou por horas embaixo do chuveiro.
Quando terminou se sentiu revigorada e teve uma certeza que é sempre bom ser provada. Como é bom ser tocada.
Ali, em frente ao espelho, escovando os cabelos, não se importou com os quilinhos a mais. O que a natureza leva a natureza trás. Queria comer pouco, mas gostava de comer demais. Voltou seus olhos para o seu rosto. Não sabia se era o embaçado do espelho, mas achava que tinha lá, uma certa beleza escondida.
Então teve uma visão que chamou a sua atenção. Era seu sorriso que ainda estava ali pra ser apreciado. Inconfundível, misterioso, charmoso. Nunca antes assim havia dado.
Se namorou por alguns segundos e se achou uma ridícula naquela situação, que ao mesmo tempo, era ma-ra-vi-lho-sa.
Por que aquela vontade incrível de fazer xixi vem sempre na melhor parte do filme?

“Nada sobre você”


Suas olheiras evidenciavam que há muito tempo não tinha uma boa noite de sono. Nem uma noite sequer de completo descanso.
Nada que a fizesse sentir-se mais revigorada para um novo dia, uma nova história.
Ela estava apenas acordando e seus olhos estavam apenas se abrindo mas antes mesmo disso acontecer, sabia que lá estava ela, de novo, começando.
Deitada sobre uma cama de casal, com lençol e edredom quase jogados ao chão, sua pele era tão branca que se fazia confundir com a fronha do travesseiro. Via um certo charme nessa cútis, meio Thom Yorke.
Não achava que o sol que penetrava entre as frestas da janela do seu quarto a faria melhor. Nem qualquer coisa naqueles dias. E eles teimavam por vir. Um após o outro.
Precisava fazer alguma coisa pra sair daquela situação. Tinha algumas horas antes de ficar zonza e fraca a ponto de não fazer nada. Absolutamente nada.
A inércia a estava castigando
Pensou que com calma poderia se levantar, sair do quarto e ir pra sala. Até mesmo pra cozinha, fazer algo pra comer. Bem, poderia fazer um sanduíche mas não iria comê-lo. Faria apenas pra não se esquecer como era. Um lanche simbólico, afinal, desde que saiu do soro do hospital, só se alimentava com aquelas sopas consistentes mas de gosto horrível.
É verdade que o tempo passava, mas havia coisas à sua volta, que pareciam sempre estar do mesmo jeito. As mesmas viagens de feriado prolongado, aquele velho, finalmente, desejo de ter um namorado, o telefone que não tocava nas noites de sábado, o amor por alguém que não havia encontrado, o ódio pela irmã do quarto ao lado, querer ir e desistir de um lugar que nunca havia estado, sonhar sabendo que na realidade é tudo diferente, pessoas perguntando - "como vai você ?", sem se importar realmente.
A mesma merda de expectativa de vida.
Pra ela tudo isso era imutável.
Poucas são as semelhanças quando estamos felizes de quando estamos tristes. Mas ainda somos o que somos, embora às vezes não pareça e ela sabe muito bem disso.
Estava ali. Ansiosa por nada. Sozinha.
Pensou que há muito tempo não devolvia agrados, sorrisos, abraços das pessoas que realmente a queriam bem. Ela sentia quando isso acontecia, mas não sabia o porquê não o fazia.
Talvez ficasse embaraçada entre seus cabelos e suas idéias.
Talvez fosse lenta pra essas coisas como uma carta que vem de longe. Mas lhe ocorreu uma coisa mais sincera.
Era a tal da consciência, clamando lugar maior em sua vida. Maior do que sua mente conturbada.
Seu corpo ainda que pouco, contorcia.
Não era a fome. Não era o frio
Quem sabe a febre? Quem sabe o vazio?

(... quero acordar. Preciso acordar! Preciso... acordar!)
Sentia, às vezes, que dentro dela havia mais vida do que seu corpo podia suportar. Por exigência da vontade, queria bater a cabeça de encontro à parede. Sentir um galo abrindo a testa. Ver a pele doída, esticada, marcada. Era raro de se querer, mas vez por outra, queria.
Já estava sem controle. Outro cochilo, outro despertar. Dormir era um paliativo pra sua inquietude.
Percebeu que precisava se sentir um pouco cansada, usada pela vida que dentro dela habitava, pra querer fechar os olhos e descansar. Como se dissesse para o mundo que após um longo dia, tudo o que precisava era de uma boa noite de sono.
Foi num estalo, estava de pé.
Foi num repente ou coisa assim.
Era ela dando fim pra algo que não havia começado.
Não era seu o desejo de ficar naquele quarto. Remédios, odor, afago. Vez por outra, se lembrou, vinham rostos conhecidos para vê-la e o que mais chamou a sua atenção era que todos tinham um doce olhar maternal.
Tão rápido apareciam, tão rápido iam embora. Era o que ela estava fazendo. Dando seus primeiros passos, mas não como um bebê que não sabia andar, porque isso ela tinha feito todos esses anos sem chegar a lugar algum. Agora, depois de tanto tropeçar, percebeu que precisava de um lugar que se sentisse segura. Um lugar que pudesse manter seus segredos, desejos, sonhos e mentiras em perfeita harmonia.
Há muito tempo era isso que ela queria, mas até um minuto atrás não tinha dado um só passo nessa direção.
Agora, era só o que ela fazia.
E ia e ria, ria e ia ,ia, ria, ia
Tudo bem, mas onde estão os churros?

“Os sentidos dos sem tidos”

Outra noite às avessas
O dia sem pressa de aparecer
São mais de três ou quase cinco
O tempo é onipresente pra todos, mas a cada segundo ele nos faz esquecer disso
É só um som.
Uma batida
Seca
Assim como a boca dele que deseja a de outro
Como os lábios dela, borrados de vermelho-sangue, implorando um cigarro
Os olhos de uma outra, parecia uma boneca de camafeu, tentando obter alguma atenção... Em vão... Daquele que parecia tímido, cabisbaixo, mas era pura preocupação
Castanho-Estalo, fixos na pista, não sabia se ia agüentar de tanta cocaína
E o coração batendo... Como de todos eles, de uma forma intensa
Seus corpos ali... Transpirando vida
Transpirando amor
Transpirando odor
Ôôôôôôôôôôôô dor
Preferiam o escuro do que as luzes com seus flashs incessantes, mas entravam em êxtase quando viam suas sombras na parede
O mais estranho que pra isso dependiam delas, quaisquer que fossem as cores
Sem preconceito
Ficavam maravilhados por possuírem várias formas
Finas, pequenas, gigantes
Podiam se amontoar, se bater, se tocarem, sem se preocupar com camisinha
Sem nenhuma hipocrisia
Suave epilepsia, que cada cérebro desconhecia e que agora soltavam em impulsos elétricos desritmados, fazendo uma perfeita harmonia
Mesmo sem penetração pode ser muito bom
São mais de três ou quase cinco em algum lugar
Sabemos disso
O horizonte é a próxima esquina

in*eco*in*eco

…tudo bem! Te dou um beijo! Mas vou logo avisando...Não vai querer se envolver comigo porque estou fugindo até de mim. Num esconderijo aqui dentro, que pra ser secreto, tenho que me despistar pelo menos 3 vezes ao dia. Acredite! É pior que remédio
Também...Não sei dizer o quanto te amo, porque não amo nem um pouco. Nem um pouquinho só. Nem de fantasia. Nem, nem de lembrança...
Pode até achar que é arrogância, mas é tudo “coisa de pele”. Sabe aquela coisa? Tato. Contato. Fricção!
Pergunta pra sua mãe! Cê acha que veio de caso pensado? Não! Veio não!
...tudo mais uma engrenagem funcionando, sabe? Corpo... coração.
Benhê! Acho que a camisinha estourou!
Sou terráqueo terreno, que atrai pessoas lunáticas, lindas ou simpáticas que usam dessa, para me seduzir ou não
Sou um camaleão ativo e o alvo eu atinjo que é o seu coração
Absorvo de outra personalidade, não com muita vontade, quando vou ver, sou inquilino de outras emoções
Me hospedo sem restrições e faço daquele o meu mundo real e sincero mas não sem antes tomar precauções
Sei que é contraditório e que na verdade tudo é provisório
Se tenho sede, bebo. Se fome, como. Se sono, durmo. Se posso, posso. Se não posso, poderei. Se você, amo.
Tenho angústia em minhas mãos
Lábios secos
Coração acelerado
Olhar distante
Caminho displicente
Oscilante

Tenho raiva no meu pênis
Audição demasiada
Suor inodoro
Coisas que só trazem dor
Realidade

Tenho pés muito gelados
Barba rala
Unhas limpas
Maturidade

Tenho sons e vozes
Pensamentos subliminares
Calmaria

Tenho desejos e vontades
Solidão

Tenho... Tenho nada não
Distração
Vida: Adaptação, dor, alegria. Dia após dia
Karen era tão inocente
Ficava em casa pedindo carinho
Quisera eu ser como Karen
Que não sabe que nada vem
A gente é que vai

Karen era tão quieta
Olhava um só quadro por horas a fio
Cores que chamavam mais a sua atenção?
Coisas que havia vivido até então
Quem sabe?

Karen era linda e jovem
Inteligente e coisa e tal
Qualquer semelhança de garota perfeita
Muito mais do que merece um qualquer
Bêbado e cheirando a cigarro

Karen então se casou
Com aquele que nem sabia se queria
Começou dizendo palavras estranhas e absurdas
Queria que sua vida fosse como a do quadro
Karen... Não está mais aqui
- O que está acontecendo comigo? Não consigo ouvir direito!
Ela escutava perfeitamente mas não da mesma maneira.
Desceu em pânico as escadas do sobrado. Entre um lance e outro percebeu que a porta do seu quarto que fechara abruptamente produziu um som diferente.
Quando chegou na cozinha avistou toda a família e por uns segundos, fez a reza mais profunda até então, pedindo que aquilo tudo fosse um pesadelo e já, já, ela iria acordar.
Não foi assim.
Estamos falando de 440 D.C. Depois de Chopin, é claro.
Todos os sons ou quase todos estão em perfeita harmonia e em sua maioria estão no Tom de Lá Maior. Pelo menos é assim que os seres humanos dessa época ouvem.
Estudos feitos pela FDA (Federal Drugs Administration) e importantes entidades médicas, foram publicados em várias revistas especializadas, como a Science. Nela, psicólogos, terapeutas e cientistas concordaram que pessoas que escutam em tons diferentes de Lá Maior, apresentam problemas das mais diferentes formas.
Os que escutam meio tom abaixo ou acima tem dificuldade de comer por falta de apetite ou porque colocam tudo pra fora depois. É a chamada “síndrome de meia boca”.
Os que escutam em uma Terça Aumentada tem mania de perseguição, baixa estima, falam demais e em certos casos chegam a sofrer de taquicardia.
Os mais perigosos são os que escutam em Quinta Justa. São inteligentíssimos e calmos na aparência, mas a partir desse estudo percebeu-se que é pura frieza e calculismo àqueles que consideram seus inimigos “inimigos”.
Todos os partidos de extrema direita ou esquerda têm um Quinta Justa como articulista
A única unanimidade nesse estudo foi a que loucos e terroristas escutam em Quinta Justa. Isso ninguém discute. Ponto
“Temos, segundo eles, um belo exemplo disso com o mundialmente procurado pra não dizer caçado, o pseudo ”independencialista, anarquista, terrorista, vanguardista”, Mano Chao, de nacionalidade desconhecida,estaria produzindo as músicas de apresentadoras de programas infantis, o que segundo as autoridades seria o que de pior poderia acontecer às crianças, pois além de perderem sua infância sadia, elas se tornariam potenciais assassinas
A última, literalmente bomba de Chao, que distribuiu nota à imprensa dizendo quenão é, nem nunca foi de nenhum partido político, foi o Mano UnaBomber?. Nada mais é que uma mensagem subliminar, suspeita-se que foi passada em thrillers nas grandes salas de cinemas do mundo todo, pra você pegar a pessoa que menos gosta, amarrá-la e fazê-la comer BIGMAC`S o mais que puder. Até ela “estourar” por dentro
O gerente-executivo-geral da rede alimentícia McDonald`s, que detém a marca e a fórmula desse tipo de sanduíche, disse em nome da imprensa quenão se considera culpado por essa esquisitice de Chao, nem pelas dezenas de mortes “não confirmadas” no Japão, Alemanha, Suíça e Brasil nas últimas semanas.
Ninguém sabe porque não aconteceu nada nos E.U.A.ainda. Será que vem coisa pior?
De momento, a empresa comunicou que não irá parar de produzir os sanduíches, mas mandou os sentimentos para as famílias dos mortos. De certo...indenização à vista!!!
Ela era uma estrela
Todos os olhares estavam nela. Muitos a admiravam e não queriam o seu mal, mas já outros, bem...a gente sabe como é o show-business
Rodopiou de uma ponta a outra do palco chegando o mais perto quepôde do público
Todos esperavam dela uma única coisa. Que ela falasse aquela frase manjada, de uma peça mais ou menos daquele “incrível” dramaturgo inglês. Não foi bem assim
Tudo o que ela disse foi: Foda-se!!!
Empresários, artistas, dondocas, ”críticos” disso e daquilo, se entreolharam tentando saber se o que tinham ouvido não fazia parte de uma “pegadinha” de algum programa inútil ou se aquele era o exato início de um surto coletivo
-É isso mesmo - berrava quase afônica - fooooooooooda-se!!!
Foi arrancando o vestido em direção a coxia, como se tivesse nojo de tudo aquilo, como se tivesse saindo de uma camisa de força, como se estivesse estourando uma bolha de ar com ela mesma dentro, como se tivesse renegando toda aquela ondulação ,paparicação, ”punhetagem”, como queira, em cima dela, que seria, segundo muitos, a grande promessa do teatro nacional
Talvez o fardo fosse muito grande para uma garota de 20 e poucos anos que ali deitada, em estado de choque, no chão do camarim, com seus colegas em volta abanando,repetia uma só frase com muita dificuldade:
-Só...Só queria...agradar minha mãe com o piano...o Ballet...só queria
A cortina fechou mais cedo naquele dia
Já o público, por incrível que pareça, aplaudia incessantemente...

“Não à indiferença”

Toda vez que saía do estúdio era uma verdadeira corrida dos cem metros até o seu carro
Não queria entrevistas, não queria repórteres, não queria os paparazzi impedindo o seu caminho
Muitos a achavam antipática por causa disso, mas tudo que ela queria era chegar na sua casa e descansar
No caminho via o seu rosto nos outdoors nas avenidas, nas bancas das esquinas, ouvia o seu nome na rádio
Pessoas que nem conhecia a admiravam ou odiavam, conforme a personagem
Era engraçado pra ela porque sentia na pele que, às vezes, era vida que imitava a arte
Mas longe de tudo aquilo, vivendo praticamente outra realidade, veio ele, menino, baixinho, maltrapilho, em um cruzamento como outro qualquer dessa cidade
-Tia, me dá um trocado?
No meio de todo o caos e tensão da metrópole ela abaixou o vidro e o olhou com o olhar mais doce e pensou que havia muito pra conquistar. Havia muito pra doar.
Quase sempre lido com calma
Já faz parte de mim esse trato com minha alma
O que às vezes me dói um pouco mas muito menos aos outros
Sei que não sou poeta
Apenas tradutor de emoções
Quando passo um tempo comigo vejo queé quase um castigo
Não se ouvir, não se tocar, não se querer, não se sentir respirar
Não sonhar...Só por sonhar
`nda me surpreendo quando me vejo criança
Aquela inocência, esperança
Um tropeço, uma dança
Não sei porque tem que ser assim
O meu amor é real num mundo cheio de ilusões
Mas sei que não sou poeta
Apenas tradutor de emoções
É melhor não querer saber o que eu penso de vocêtodo tempo, pois as pessoas amam e odeiam o tempo todo e talvez neste momento eu esteja te...
Quem sabe não seria melhor me apunhalar pelas costas e quando eu tivesse me estrebuchando em sangue, eu te dissesse o que tanto quer ouvir
Mas todo cuidado é pouco, porque ao invés de uma canção de amor, eu posso sutilmente te mandar tomar no cú
Hipocritamente penso que se meus lábios alcançassem toda a extensão do meu corpo, eu não precisaria de mais ninguém
Faça algo sincero sair de dentro de você
Corte os seus pulsos
Sinta o odor de suor tomar conta do seu corpo
Não o perfume francês
Abra a torneira quando foi evacuar
Beba o sabonete líquido pra se limpar
Tire o sorriso McDonalds da cara
A felicidade não é feita em um minuto
Brinque de forca com a gravata de seda italiana
Nos ceda esse prazer
Vigie tudo do seu condomínio fechado
Onde você também é vigiado
Compre uma droga que te dê prazer
Use o seu Visa pra mandar e receber
Lá estava ela, fazendo todos à sua volta ficarem maravilhados com sua voz
Toda melodia emitida pela sua boca era de uma beleza incomum
Paralisava o vôo dos pássaros que preferiam ouvir quietos nos cabos de força
Acalmava todos aqueles que estavam estressados no engarrafamento pra mais um dia de trabalho
O seu canto fazia, nem que por um segundo, com que todos acreditassem que o mundo dali em diante seria melhor e todos fariam o possível para que isso acontecesse
Lá estava ele, admirando como tantos outros, aquelas lindas notas ecoando ao ar. Quando um amigo seu de longa data perguntou se ele podia escutá-la cantando
Ele disse que sim
Então seu amigo surpreso perguntou se havia recuperado audição
Com calma, disse que de forma alguma. Era totalmente surdo, mas sentia cada vibração sonora vinda de seu palato mole, de sua garganta, de seu diafragma, de seu coração. Era isso que ele ouvia. Os sons vindos do coração
Por isso respondia, ao seu amigo de longa data, que era totalmente mudo

“Só pra te ouvir”

-Nossa! Onde `cê foi desse jeito? Tava tão bonitinha...
-Que foi? O rasgado do vestido? É que aquele velho sentimento quis me pegar de novo. Só que ele não se tocou que eu não sou mais dele. Nunca fui
Quanto mais pedia pra ele me soltar mais ele me agarrava, então tive que correr, daí ele ficou com a parte do vestido que rasgou mas não ficou com nenhuma parte minha. Nenhuma
Acho que abri o pulso também. Na dá pra você ver, mas acho que abri. Sabe, é que eu tava tão puta com tudo aquilo que quando parei de correr precisava fazer alguma coisa. Eu não queria machucar ninguém, então comecei a socar o ar. Socava tão rápido e com toda a minha força que até Muhammad Ali ficaria com medo. Pois é, o vento não ficou. Veio um pouquinho mais forte e abriu meu pulso e... Que `cê ta olhando? Meus arranhões nas pernas e braços? Olha só, eu não tinha força mais pra nada e quando eu resolvi ficar no meu cantinho, ali parada, sossegada, como se estivesse esperando um ônibus ou a banda passar, me veio o primeiro tombo. Subi quase dois metros antes de cair. O mais engraçado que mesmo com dor eu ri
Não podia acreditar que aquilo pudesse estar acontecendo e como não sou cobra nem nada, resolvi ficar de pé. Me veio outro “tropicão”. Esse machucou bastante. Fez até um galo aqui atrás, vê só!
Eu tava ali no chão, tentando manter a calma, pensando um monte de coisa, pensando como Deus age de modos misteriosos em nossas vidas, percebendo que era a Vida que tava me dando rasteiras, percebendo que eu tinha que passar por isso
Eu fiquei paradinha ali, olhando pro nada, sem me mexer, foi quando ELA apareceu toda imponente e generosa.
Parece coisa de drogada, né? Mas não é não!
ELA me deu um sorriso e eu entendi que com isso eu podia me levantar sem que nada de mal fosse me acontecer. Desde que eu não quisesse acelerar ou atrasar o processo. Afinal, tudo tem o seu tempo
Só que antes disso, me veio um sono esquisito e quando eu acordei, estava deitada aqui no sofá da sala
-Sei...
-Não acredita, né?
-É que...
-Olha, vê se me entende. Me abraça e diz que me ama. Essa é a única coisa que eu preciso ouvir.
O preço pra se continuar a VIVER é saber permitir que coisas morram dentro da gente para que outras nasçam

“Onde está a beleza nos filmes de Hitchcock”

Pra que o dente do siso?
Pra que tanta coisa aqui dentro?
Pra que essa tal de apendicite?
A felicidade às vezes me deixa tão triste
Vai ver que é porque ela não nos acompanha até o fim
Também...Ninguém disse que tinha que ser assim
Pra que o livre arbítrio se existe o destino?
Pra que a dúvida se a certeza é só o cansaço?
Gostaria de pegar uma vez o horizonte
Chegar antes dos ventos, atrás dos montes
Duas linhas paralelas se cruzassem e mais três pulgas se estrebuchassem de tanto rir
Por terem sugado de um hiv positivo
Pra que existe mosquitinho de banheiro?
Pra que ter a unha encravada
NUNCA ACREDITE NA ÚLTIMA FRASE
Onde houver sombra haverá luz
Sei que não foi você que quis
Toda essa poluição, os poros sujos se fechando, o barulho, o corre-corre o dia inteiro
Não quis também esse amor que te arremesso por cima da barreira da indiferença e da hipocrisia
Tampouco quis que eu a tocasse pois seus pés não estavam limpos
Assim como os seus dentes que teimam em ficarem amarelos, não importa quanto escove
Assim como você que teima em não querer ver
Dizendo precisar de um tempo, ir devagar, precisar de você
Será que não percebe que sou eu?
Mas deixe estar porque eu te amo, assim como a mim
Pra que tanto sono?
Pra que tanta vontade?
Pra que tanto respeito?
Tudo que eu disse acima é verdade

Acordou com um canto de passarinho. Não era um canto qualquer, era um canto suave e ao mesmo tempo forte, encantador
Ficou muito feliz por ter sido daquela forma porque há muito tempo acordava apenas por acordar. Só porque era assim que era o ser humano
O pássaro estava ali com o peito estufado no batente da janela do seu quarto, como se aquela música tivesse sido composta exatamente pra aquele momento
Suas penas eram tão pretas que quase chegavam ser azuis. Eram brilhantes, vistosas, saudáveis. Tinha uma calda linda, enorme, de um amarelo visceral
Foi quando olhou pra aquilo logo de manhã, o pássaro cantando, fazendo com que todo o resto fosse pequeno, seus medos, suas inseguranças, suas encanações, e percebem que tudo aquilo lhe remetia um sentimento muito peculiar que as vezes vinha e lhe tomava e as vezes lhe faltava
Levantou-se da cama, aproximou-se do pássaro e olhou bem para os seus olhos
Fechou a janela e percebeu o que era aquilo
Era a vida que tinha que estar dentro de si. Mesmo em silêncio
Queria que soubesse o que vem antes da vírgula
Que soubesse o que vem antes do refrão
Daquela canção que um dia será famosa
A que canto em silêncio esperando o busão
É madrugada
Me vem o que nunca vi, com uma história mal contada
Diz que veio de longe, lá do alto da colina
Não gostava de fazer o que fazia, mas era tudo ele podia
Me pedia uns trocados, a vida tava difícil, dei o que tinha
Cabelo cortado, sapato impecável, sua roupa era mais bem passada que a minha
Mas daí vi nos seus olhos fome, cansaço, desassossego
Percebi que aquele era mais um de tantos “zés” que não tinha emprego
Do mesmo jeito que veio, foi embora, pra não perder a hora
Queria que soubesse o vem antes da curva
Que soubesse o vem antes da boca seca
Que pede teus lábios e diz que te ama, não aceita outro no seu lugar
Soluçando -“Não sei quanto tempo mais vou suportar!!!”
Isso é um conto que eu conto num faz de conta
De uma história que não vivi, que não tenho lembrança
Mesmo assim queria que soubesse o vem depois do clube da esquina
Que soubesse depois que desliga e eu ainda com o telefone na mão
Pensando que tudo poderia ser diferente, que valesse a pena realmente
Te mostrar um espelho, não pra te maltratar mas que pudesse ver coisas suas
Que não conseguiu enxergar
Que suas certezas são uma dúvida que só
Te sentir, teu prazer, meu prazer
No palco, na cama ou te ver comer
Queria que soubesse o que vem antes do meu sorriso
Que soubesse o que vem antes do meu abraço
Isso vai explicar realmente quem eu sou
É que...
All i need is alguma coisa
Sentiu que aquele era o dia:
Hmm... Essa dorzinha aqui no peito, não tá certo isso não, não tá não. Hmm.
Também, se for outro infarto chegando que me leve de uma vez, porque pra mim, já estou no segundo tempo
Pra `ocê vê, quem eu não queria vi indo embora, quem eu quero não me quer e quem devia de me querer nem vem me visitar. Nada de saber se eu comi, nada de me fazer carinho, se eu dormi bem...nada de nada. É isso
O nada não me é nem um pouco estranho, não. E o que estou vivendo e (tosse! tosse!tosse!) estranho é que parece que foi ontem
Não sei se a gente merece tudo que a gente passa não, viu? ”As dor”, as “sardade”, mas até que num posso “di recramá” que eu fui muito feliz por um tempo (tosse!tosse!) mas é que hoje (tosse!tosse!tosse!)
Depois de tanta coisa que eu passei, a que eu mais queria que as “pessoa” soubesse (tosse!) é que na vida (aí!!!)

PRA MUITA GENTE

Posso até não ser aquela puta que adora tanto foder
Posso até não ser aquele pó que odeia tanto inalar
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não estar muito perto do lugar que quer alcançar
Posso até não ser o abrigo que tanto quer achar
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser a realidade que está além dos seus 181 canais
Posso até não ser aquilo que melhor o faz
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser aquela insônia que te pega depois de jantar
Posso até não ser aquela monotonia, pra aquele novo dia, pra aquele novo despertar
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser aquele seu velho amor voltando, dizendo que agora é pra valer, que agora vai ficar
Posso até não ser o reflexo no espelho, da sua cara, cansada, chorando, pra tudo isso acabar
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser aquela inocência da primeira vez
Posso até não ser aquele olhar fixo, mãos trêmulas, corpo quente, boca seca, foi assim que fez
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser a lembrança do número daquela pessoa que nunca deveria ter esquecido
Tão pouco o seu sorriso
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser quem achava que fosse ser
Posso até não ser quem melhor te ouve, guarda segredos e te faz entender
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser aquela página em branco que procura às vezes pra poder escrever
Posso até não ser daquela cor que queria ter
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser o começo, meio, enfim...Aquele com quem vai querer terminar
Posso até não ser, mas péra lá!
Eu ainda estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até na ser aquele sentimento bom feito criança que entra no quarto dos pais
Posso até não ser a desculpa pra tudo de errado que faz
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser uma pessoa fácil de se amar
Posso até não ser o melhor se há
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar
Posso até não ser aquele seu ombro amigo que te conforta, sente, não oferece perigo
Posso até não ser ou quem sabe até possa
Mas estou no meio do meio do seu desejo de quando deseja não mais desejar

“Oi”

O negócio é o seguinte...Fui com a sua cara
Então agora você vai ter alguém para ligar durante o dia ou à noite
Quem sabe até de madrugada, de cabeça inchada, precisando falar de tudo e de nada
Vou lembrar do seu dentista às 4 horas
Dizer, melhor fazer do que deixar pra depois
Farei até uma salada, um arroz
É tudo que sei fazer
Quando tudo tiver complicado, vai poder contar com alguém do teu lado
Vai ouvir aquelas mentiras que é sempre bom escutar
Aquelas que ninguém acredita mas nos mantém, nos cega, nos faz continuar
Vou dar a você no limite do suportável, você vai ver!
Vou dizer que ele é um idiota ou ela uma cadela
Vou te pedir que tenha calma ou qualquer coisa que a valha
Te dizer, sem ter certeza nenhuma disso, que vale a pena continuar
Que aquele seu amor vai voltar e que independente disso, toda essa angústia vai passar
Que aquele curso que fez e custou os olhos da cara vai te dar retorno um dia
Que no meio do caos da cidade ainda há harmonia
Vou te escrever menos e te viver mais
Não vou entrar no seu mundo e sim você no meu
No nosso
Como prova que te amo é que te deixo
Deixo, pra você fazer qualquer coisa
Deixo você ir se quiser ou se quiser ficar ou sei lá
Me deixo sem condições, sem restrições
Nos deixemos então
Juntos ou separados
Simplesmente, deixados por aí

“Entre o oi e o tchau” (1)

Falava pouco e quando o fazia parecia soluçar as palavras
Como se tivesse um sotaque lá das terras mais altas da Escócia
Era lacônica
Talvez porque sua infância tenha lhe marcado muito os
-Cala boca! Fica quieta! Isso não é conversa pra criança! Cala boca
Quase sempre acontecia quando estavam à mesa de jantar
Pai, mãe, irmão, irmã mais velha
Todos se foram sem nunca terem lhe dado atenção
Todos acordavam e nunca lhe davam bom dia, um sorriso, um oi que fosse
Todos, exceto ela, morreram queimados junto daquela que um dia foi a sua casa
Hoje em vez de tristeza e solidão, carrega um sorriso de como quem diz apenas tchau.

”Igual mas diferente”

Daqui até o final dos dias vai ser tudo igual
Já me liguei
Mas isso não impede de achar que com você vai ser tudo melhor
Eu acordo, faço, me dedico, me machuco igual
Eu insisto, lembro e esqueço, mas ainda acredito como uma pessoa normal
No meio de tanta coisa que não parece mas é tudo igual
É preciso de esperança, um pouco de molho, um sorriso e um pouco de sal
Nunca achei que ia ser fácil, até porque ninguém me disse que seria
Será que pularam minha vez nos dados do jogo da vida?
E eu que nunca quis ser primeiro em nada, se bem que continuo não querendo
Na verdade, não é que eu não queira que aconteça, mas pra mim não faz diferença
Eu já disse, é tudo igual
Só quero que quando você me encontre, me respeite, me entenda, me deixe, me ame, me ache especial
Porque no final, `cê já sabe...
Feliz é aquele que tem alguém que pergunte:
-Como foi o seu dia?

“Entre o oi e tchau” (2)

Foi-se embora pra outra pátria por que:
-“...Meu pai, nessa terra de desdentados é difícil pintar um sorriso que não seja amarelo. Olha só pra minhas tintas. Eu ainda tenho azul, vermelho, verde, branco e preto mas amarelo, nunca que chega. Estou na terceira bisnaga e já tenho que comprar outra. Eu preciso...preciso ir pra outros lugares aonde as cores me sejam mais necessárias, mais igualitárias e...
-Isso é sonho de moleque e o que nós vivemos é realidade
-Não a minha, pai, não a minha
-Não importa, quero te ver feliz. Eu mais tua mãe te “juntamo” uns trocado. Agora pega e vai-te embora pintá esses quadro, antes que eu me arrependa
-Tchau pai, obrigado!
-Tchau e te cuida!
Saiu daquela casa onde morava praticamente desde quando se conhecia como gente. E agora era diferente porque era gente grande e queria porque queria fazer acontecer
Atravessou o continente, conheceu bastante gente, que assim como ele também carregavam sonhos, ritmos, notas e cores
E depois de todo esse tempo fora achava que o cinza sempre imperava, sempre o emoldurava
Não sabia o porquê mas algo de muito estranho acontecia
Não lhe faltava dinheiro, saúde, nem amigos. Distantes sim, mas amigos
Gostava de cores quentes, mas isso no contato com a tela parecia indiferente. Saía um acinzentado que só
Num repente, desses que se tem poucas vezes, depois de acordar e engolir apressado o café da manhã, pegou um avião de volta pra onde um dia foi o seu lugar
Talvez, pensava ele, ainda fosse, como tantos outros lugares
Precisava resgatar algo dentro dele e foi mais ou menos assim que aconteceu:
-Oi pai!
-Oi meu filho! Dá um abraço!
-Pai é que...
-Não precisa nem falar!
Mesmo com toda saudade, foi fazendo pose pra sua cria pintar, um lindo sorriso amarelo.

O primeiro acorde virá forte. Marcante. Daqueles momentos que nos mantém imobilizados, presos ao nada
Reféns de um sentimento e preço do resgate é conseguirmos recuperar a memória e tentar entender o que aconteceu nos últimos dez segundos
Logo depois vem um Em no momento em que se tenta se discernir entre fantasia e realidade
Um D7(9) no intuito de manter as raízes, o vínculo com alguma coisa,o algo em comum
Mas daí te dou Bm/F# e todos aqueles traços por mais insignificantes que fossem, que todos os seres humanos tem independente de cor e de raça se esvaem de sua memória
O Ebm7(11) te faz ficar sem identidade alguma e isso poderia fazer você se perder, mas G6 te mostra que é muito mais que isso. É como se dissesse: - Se perder de quê? De quem?
Essa história de esquerda, direita, esquerda, direita, desde quando éramos crianças, ali, de fraldas, tentando, tombo após tombo, cheios de cocô e mijo, naquelas fraldas que pra eles estavam limpinhas, cansou. Cansou
Daí vem o Bb7(13) que talvez indique alguma coisa
Talvez seja esse o caminho que desde bebezinhos nós tentamos ir e alguém sempre segurava a nossa mão ou nos pegava no colo e daí tínhamos que recomeçar tudo de novo
Só que não é sempre que se escutam esses acordes
Sabe do que estou falando?
Quando se toca um C#m(7M e 9)/G# não se espera nada de nada mais. É simplesmente algo que aparece na sua vida, a gente faz e vai embora
Eu não estou mais perdido, simplesmente deixo a coisa toda fluir até que eu sinta pra onde devo ir
Isso fica claro depois com o Gº, porque ele é um acorde solitário mas pode fazer mais barulho e ter mais força do que eu e você juntos, Ele está ali pra ser o que tiver que ser. É o que deveríamos fazer
Mas podemos ser também o G7(9) que é reflexivo, pensa, mas não deixa de fluir. Não deixa a sua essência amarrada em pré-conceitos. O que causa conflito com o Ab6 que é todo sistemático e com o Ab7M que é todo verborrágico
E é aí que está a maravilha
O grande encontro em um ponto de alguma esquina em Brasília.
Ali, de quina, 90 graus. Não pra ver quem é mais forte porque o F(6 e 9) coloca tudo isso por terra, faz todo conflito se tornar perto dele uma palhaçada
Como daquela vez que você viu o seu tio se vestindo de Papai Noel porque entrou na sala correndo. Ele não te esperava estar ali e muito menos você, que sabia que aquela não era hora de criança ficar acordada. Mas isso era uma daquelas inúmeras bobagens que tinham te ensinado. Era uma das inúmeras coisas que tinham te colocado na cabeça e que naquele momento não fazia a menor diferença. Era pequeno
Por que o que tinha descoberto ali na sua frente, com ele suando e colocando a barba postiça de qualquer jeito era que Papai Noel não existia de fato
Era igual a esse C maior que existe dentro de cada um de nós. Um símbolo, uma referência, um valor diferente que damos pra ele
Entende o que quero dizer?
O D/A amansar, apaziguar as coisas porque senão tudo fica num conflito que só e não é isso que é a vida
Pode-se achar estranho continuar pelo Fm6/Ab e nem sei se é o mais fácil, mas através dele se percebe que está no caminho certo pra onde quer que se queira ir
Mas deixa eu falar uma coisa que eu entendi. Ele é um acorde que é quase o “não sentimento” ,um dos mais materialistas que conheço. Ele é como se fosse a passagem, uma rotatória pro universo que tem vários caminhos. Ele é o senso de direção
Quem quiser ter um algo mais com esse acorde só vai ter dor de cabeça porque ele é uma passagem, como já disse. Nada mais
Eu sei que o que a gente quer é não se sentir solitário. Podemos estar até sozinhos, mas solitários nunca
De uma forma cromática do G até o B, tocada em uma dinâmica crescente, não importando se é maior ou menor ou que acidentes vão acontecer até lá... é pra quem quer ter outra pessoa. Não obsessivamente, de posse, doente, mas que queira trocar, se relacionar, dar e receber
E quando eu tocar Gb7(#11) você vai se apaixonar, não tem jeito. E o que é ridículo é que pode até não ser por mim, mas vou te despertar esse sentimento
Mas se eu realmente te quiser é só te mandar um Abº na seqüência, que daí não tem jeito. É minha
O problema é que quando estamos apaixonados, geralmente ficamos tão cegos e tolerantes que parecemos fantoches do coração
Vêm aquelas posições que nos incomodam, aquele cheiro de cigarro, os atrasos nos encontros, não sair tanto com os amigos, fixação
Então existe C/Bb que eu toco pra que nunca se perca a comunicação que pra mim é essencial
Agora se a história não for comigo, jamais venha chorar depois de um Bb7(9 e 11), porque meu ombro não vai ser tão amigo assim
E a canção se perdeu de mim, mas encontrou seu fim no momento em que a comecei, no momento em que a executei, no momento em que a terminei
Esse é o propósito de tudo
Achá-los
Achar-nos
Achar-nos-los
Isso tudo sem deixar de fluir.
Não calou minha sede que tão logo apareceu sabia que não teria poço nos teus lábios
É que choveu tanto ontem, na verdade, parece que choveu tudo
Escorreu tanta água por tantas estradas, ruas e caminhos que pensei que pudessem me levar a você
Para aquela sua janela com vista pro nada, pra aquela coisa sem sal que chama de comida, pro seu sorriso que parece sempre querer mais, pro desespero de ouvir calada tudo o que foi dito, pra todas aquelas coisas que rejeitou pois, não tinha onde guardá-las e que agora, simplesmente, não precisa mais
Será por conveniência ou nossa convivência foi coincidência?
Que seja ou que ainda tenha sido, que diferença isso faz?
Não mais, não mais
Me corrija se estiver certo pois quero errar por esse mundo afora
Vou fazer um loop de um sonho perfeito e jamais vou me cansar dele
Como já disse...Será perfeito.