sexta-feira, 15 de outubro de 2010

“Só pra te ouvir”

-Nossa! Onde `cê foi desse jeito? Tava tão bonitinha...
-Que foi? O rasgado do vestido? É que aquele velho sentimento quis me pegar de novo. Só que ele não se tocou que eu não sou mais dele. Nunca fui
Quanto mais pedia pra ele me soltar mais ele me agarrava, então tive que correr, daí ele ficou com a parte do vestido que rasgou mas não ficou com nenhuma parte minha. Nenhuma
Acho que abri o pulso também. Na dá pra você ver, mas acho que abri. Sabe, é que eu tava tão puta com tudo aquilo que quando parei de correr precisava fazer alguma coisa. Eu não queria machucar ninguém, então comecei a socar o ar. Socava tão rápido e com toda a minha força que até Muhammad Ali ficaria com medo. Pois é, o vento não ficou. Veio um pouquinho mais forte e abriu meu pulso e... Que `cê ta olhando? Meus arranhões nas pernas e braços? Olha só, eu não tinha força mais pra nada e quando eu resolvi ficar no meu cantinho, ali parada, sossegada, como se estivesse esperando um ônibus ou a banda passar, me veio o primeiro tombo. Subi quase dois metros antes de cair. O mais engraçado que mesmo com dor eu ri
Não podia acreditar que aquilo pudesse estar acontecendo e como não sou cobra nem nada, resolvi ficar de pé. Me veio outro “tropicão”. Esse machucou bastante. Fez até um galo aqui atrás, vê só!
Eu tava ali no chão, tentando manter a calma, pensando um monte de coisa, pensando como Deus age de modos misteriosos em nossas vidas, percebendo que era a Vida que tava me dando rasteiras, percebendo que eu tinha que passar por isso
Eu fiquei paradinha ali, olhando pro nada, sem me mexer, foi quando ELA apareceu toda imponente e generosa.
Parece coisa de drogada, né? Mas não é não!
ELA me deu um sorriso e eu entendi que com isso eu podia me levantar sem que nada de mal fosse me acontecer. Desde que eu não quisesse acelerar ou atrasar o processo. Afinal, tudo tem o seu tempo
Só que antes disso, me veio um sono esquisito e quando eu acordei, estava deitada aqui no sofá da sala
-Sei...
-Não acredita, né?
-É que...
-Olha, vê se me entende. Me abraça e diz que me ama. Essa é a única coisa que eu preciso ouvir.

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