sexta-feira, 15 de outubro de 2010

“Não à indiferença”

Toda vez que saía do estúdio era uma verdadeira corrida dos cem metros até o seu carro
Não queria entrevistas, não queria repórteres, não queria os paparazzi impedindo o seu caminho
Muitos a achavam antipática por causa disso, mas tudo que ela queria era chegar na sua casa e descansar
No caminho via o seu rosto nos outdoors nas avenidas, nas bancas das esquinas, ouvia o seu nome na rádio
Pessoas que nem conhecia a admiravam ou odiavam, conforme a personagem
Era engraçado pra ela porque sentia na pele que, às vezes, era vida que imitava a arte
Mas longe de tudo aquilo, vivendo praticamente outra realidade, veio ele, menino, baixinho, maltrapilho, em um cruzamento como outro qualquer dessa cidade
-Tia, me dá um trocado?
No meio de todo o caos e tensão da metrópole ela abaixou o vidro e o olhou com o olhar mais doce e pensou que havia muito pra conquistar. Havia muito pra doar.

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