sexta-feira, 15 de outubro de 2010

“Entre o oi e o tchau” (1)

Falava pouco e quando o fazia parecia soluçar as palavras
Como se tivesse um sotaque lá das terras mais altas da Escócia
Era lacônica
Talvez porque sua infância tenha lhe marcado muito os
-Cala boca! Fica quieta! Isso não é conversa pra criança! Cala boca
Quase sempre acontecia quando estavam à mesa de jantar
Pai, mãe, irmão, irmã mais velha
Todos se foram sem nunca terem lhe dado atenção
Todos acordavam e nunca lhe davam bom dia, um sorriso, um oi que fosse
Todos, exceto ela, morreram queimados junto daquela que um dia foi a sua casa
Hoje em vez de tristeza e solidão, carrega um sorriso de como quem diz apenas tchau.

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