Queria que soubesse o que vem antes da vírgula
Que soubesse o que vem antes do refrão
Daquela canção que um dia será famosa
A que canto em silêncio esperando o busão
É madrugada
Me vem o que nunca vi, com uma história mal contada
Diz que veio de longe, lá do alto da colina
Não gostava de fazer o que fazia, mas era tudo ele podia
Me pedia uns trocados, a vida tava difícil, dei o que tinha
Cabelo cortado, sapato impecável, sua roupa era mais bem passada que a minha
Mas daí vi nos seus olhos fome, cansaço, desassossego
Percebi que aquele era mais um de tantos “zés” que não tinha emprego
Do mesmo jeito que veio, foi embora, pra não perder a hora
Queria que soubesse o vem antes da curva
Que soubesse o vem antes da boca seca
Que pede teus lábios e diz que te ama, não aceita outro no seu lugar
Soluçando -“Não sei quanto tempo mais vou suportar!!!”
Isso é um conto que eu conto num faz de conta
De uma história que não vivi, que não tenho lembrança
Mesmo assim queria que soubesse o vem depois do clube da esquina
Que soubesse depois que desliga e eu ainda com o telefone na mão
Pensando que tudo poderia ser diferente, que valesse a pena realmente
Te mostrar um espelho, não pra te maltratar mas que pudesse ver coisas suas
Que não conseguiu enxergar
Que suas certezas são uma dúvida que só
Te sentir, teu prazer, meu prazer
No palco, na cama ou te ver comer
Queria que soubesse o que vem antes do meu sorriso
Que soubesse o que vem antes do meu abraço
Isso vai explicar realmente quem eu sou
É que...
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