sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Agora você está calma e isso é o que importa agora. Só que antes você me perguntava onde aquilo iria parar.
Os amigos que você amava eram os mesmos inimigos com quem lutava.
Onde irá enxugar suas lágrimas?
Não há nada nem ninguém tão perto pra poder te ajudar.
Então você procura, procura e não se deixa abater. Sempre tentando achar o verdadeiro motivo disso tudo ter acontecido.
Nada real pra pegar. Ninguém pra culpar.
Enfrentou a tudo e a todos mas rendeu-se a si mesma.
Sentiu que não se valia à pena.
Sua realidade era como num sonho, sua cor era como um doce, seu cheiro era como a neblina, sua pele era como um manto, sua voz era como veludo, sua boca era como escudo e seus olhos assim como tudo mais, eram insanos.
Não se lembrava de ter ficado tanto tempo em transe desde a época que ainda era inocente... Quando resolveram sangrá-la pela primeira vez. Sentiu sua espinha contorcer, deixou seu ódio aparecer
A única coisa que realmente queria era alguém pra segurar a sua mão. Esse alguém, não existiu...
Com o tempo a cicatriz foi fechando e o ódio com ela foi passando, mas a alegria de viver não ficou pra trás.
Já não era ela mesma quando encarava as pessoas. Já não era ela mesma quando andava sem rumo, mas em uma só direção. Apenas mais uma na multidão.
Se sentiu culpada por algo que não havia cometido.
Com quem você sonhará hoje à noite?
Nos sonhos... Único lugar onde se sentia segura,
Ninguém era falso. Ninguém era honesto.
Todos eram perfeitos. Acima disso
Ninguém era invejoso. Ninguém era acolhedor.
Todos eram perfeitos. Acima disso
Ninguém era modesto. Ninguém era bonito.
Todos eram perfeitos. Acima disso
Ninguém era triste. Ninguém era amigo.
Todos eram perfeitos. Acima disso.
Ninguém era ela. Ninguém era eu.
Todos eram... Sonhos.
Na realidade possuía um sorriso enigmático. Seus mistérios não deixavam desvendar se aquele era um sorriso vencedor ou sarcástico.
Enquanto sonhasse nada lhe faria mal e aqui a vida continuaria.
O frio a fazia se sentir por inteira. Não gostava de arco-íris e se perguntava o porquê do amarelo do sol. Seus banhos eram como uma troca de energia, mas não sabia por que para isso sentia cócegas. Talvez os jatos d’água do chuveiro.
Não acreditava no reflexo que via no espelho. Via sempre o seu rosto mais belo e mais sereno, mas na maioria do tempo, se achava louca e de uma beleza comum.
Ficava encantada com os pássaros, especialmente o beija- flor. Às vezes ela queria ser um deles para fazer malabarismos no ar ou então uma flor para poder admirá-los mais de perto.
Nunca se esqueceu de ser um tatu-bola. Quem sabe assim, quando se enrolasse visse a si mesma melhor. Então entenderia seus medos, seus sonhos, suas fantasias. Conheceria o mundo conforme o vento do destino a soprasse. E iria “rolar” pelos mais diferentes lugares...
Mas ela queria ser mesmo um gato.
Arranjaria uma família que a acolhesse bem e saberia que em troca de alguns miados seria sempre bem alimentada. Poderia quebrar e arranhar alguns móveis da casa sem se preocupar em ouvir sermões porque seria rápida o bastante pra fugir. Esta seria uma doce vingança porque agora ela já não seria a pessoa estúpida e descuidada da casa.
E quando por fim sua família começasse a brigar ela poderia ficar perto sem participar. Então entenderia melhor o porquê das pessoas ficarem magoando umas as outras pra depois pedirem desculpas
E enquanto o clima de histeria não tivesse passado, ela subiria em uma estante da sala e ficaria admirando mais uma daquelas típicas cenas de família
Talvez os gatos vejam as coisas mais de perto.

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