sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Acordou com um canto de passarinho. Não era um canto qualquer, era um canto suave e ao mesmo tempo forte, encantador
Ficou muito feliz por ter sido daquela forma porque há muito tempo acordava apenas por acordar. Só porque era assim que era o ser humano
O pássaro estava ali com o peito estufado no batente da janela do seu quarto, como se aquela música tivesse sido composta exatamente pra aquele momento
Suas penas eram tão pretas que quase chegavam ser azuis. Eram brilhantes, vistosas, saudáveis. Tinha uma calda linda, enorme, de um amarelo visceral
Foi quando olhou pra aquilo logo de manhã, o pássaro cantando, fazendo com que todo o resto fosse pequeno, seus medos, suas inseguranças, suas encanações, e percebem que tudo aquilo lhe remetia um sentimento muito peculiar que as vezes vinha e lhe tomava e as vezes lhe faltava
Levantou-se da cama, aproximou-se do pássaro e olhou bem para os seus olhos
Fechou a janela e percebeu o que era aquilo
Era a vida que tinha que estar dentro de si. Mesmo em silêncio

Nenhum comentário:

Postar um comentário