Ela era uma estrela
Todos os olhares estavam nela. Muitos a admiravam e não queriam o seu mal, mas já outros, bem...a gente sabe como é o show-business
Rodopiou de uma ponta a outra do palco chegando o mais perto quepôde do público
Todos esperavam dela uma única coisa. Que ela falasse aquela frase manjada, de uma peça mais ou menos daquele “incrível” dramaturgo inglês. Não foi bem assim
Tudo o que ela disse foi: Foda-se!!!
Empresários, artistas, dondocas, ”críticos” disso e daquilo, se entreolharam tentando saber se o que tinham ouvido não fazia parte de uma “pegadinha” de algum programa inútil ou se aquele era o exato início de um surto coletivo
-É isso mesmo - berrava quase afônica - fooooooooooda-se!!!
Foi arrancando o vestido em direção a coxia, como se tivesse nojo de tudo aquilo, como se tivesse saindo de uma camisa de força, como se estivesse estourando uma bolha de ar com ela mesma dentro, como se tivesse renegando toda aquela ondulação ,paparicação, ”punhetagem”, como queira, em cima dela, que seria, segundo muitos, a grande promessa do teatro nacional
Talvez o fardo fosse muito grande para uma garota de 20 e poucos anos que ali deitada, em estado de choque, no chão do camarim, com seus colegas em volta abanando,repetia uma só frase com muita dificuldade:
-Só...Só queria...agradar minha mãe com o piano...o Ballet...só queria
A cortina fechou mais cedo naquele dia
Já o público, por incrível que pareça, aplaudia incessantemente...
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